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quinta-feira, 13 de maio de 2010

A Montanha do Diabo

Por: Mateus Silva Saraiva

25 de Julho de 2012
Já estou muito fraco, cansado e faminto. Venho escrevendo neste meu diário desde que o recebi da empresa no dia de minha contratação. Uma grande empresa de exploração minério, multinacional que tem uma das suas sedes aqui nesta pequena cidade na serra do sul de Minas Gerais. Bom, mas antes sugiro que lessem o começo de todo esse horrível pesadelo.

03 de Janeiro de 2012
Sou formado em engenharia pela PUC, e no final do ano de 2011 passei em um concurso onde fui contratado por esta empresa. A partir de Janeiro de 2012 começaria a extração de minério de uma área montanhosa ao redor da cidade que se mostrou rica em metais.

Como engenheiro, fui convocado a tomar os devidos cuidados e fazer os projetos, a começar pela estranha Montanha do Diabo, uma planice elevada, cheia de dantescas árvores, que acima dela se estendia um imenso rochedo de uma peculiar forma de monstro gigantesco deitado, e numa parte estendia duas gigantescas árvores sem folhagem que lembravam chifres. Nessa planice havia também uma nascente, que ao passar pela cidade já se tornava um rio e servia também pra abastecer os cidadões e algumas chácaras próximas.

Este lugar não tinha o nome de Montanha do Diabo, só por sua forma horripilante, mas também desde o século XIX, se registrará desaparecimentos de pessoas no meio daquelas estranhas e gigantes árvores. Recentemente muitos turistas, pessoas que desapareceram e jamais foram encontradas. Lembro de um jornal da década de 50, que conseguiram encontrar um jovem de nome
Lúcio que tinha ido com seus amigos floresta adentro, no jornal dizia que o garoto estava em estado de choque, dizendo que ás árvores criaram vida naquela noite sem lua, e devoraram seus amigos.

Mas voltemos à realidade, que é bem mais terrível que essas lendas de caipiras, eu não sou daqui, eu nasci em 1986 no Rio de Janeiro, e recebi o nome de Bruno de meus pais. Vindo morar aqui ainda adolescente, e desde então acostumei a sempre fazer de tudo para beber água mineral engarrafada, vinda da cidade dos meus avós do Rio de Janeiro, Petrópolis. Todo esse ritual só pra lembrar desses meus queridos antepassados que já se foram, e que dizia que tudo de lá era melhor.

13 de Janeiro de 2012
Levantada uma pequena base próxima ao local, no dia 10 de Janeiro demos inicio a exploração de minério logo naquela figura maldita. Por um curto tempo tudo ocorreu muito bem, até chegar à essa fatídica - mas tão esperada pelos boêmios - sexta-feira dia 13 de Janeiro.

Havíamos tirado uma camada superficial de rochas inúteis, repletas de musgos, daquele rochedo com pequenas explosões, curioso dizer que dois guardas viram de noite, uma pequena luminosidade fosforescente sendo emanadas de rachaduras dela, coisa que se imaginou que seria algum tipo de gás natural ou mesmo um simples reflexo da lua. E então foi incrível, naquela amanhã de céu nublado, todos que trabalhavam na base puderam ver a luz que cegava sendo emanada do rochedo aonde alguns homens trabalhavam com britadeiras pra instalar a dinamite. Pareceu um flash de uma câmera gigantesca.

Uma equipe foi deslocada para lá, com a qual fui junto. Todos os oito operários estavam desmaiados, com os olhos queimados e sangrados, e algumas queimaduras leves pelo corpo. E das rachaduras, escorria um liquido, a principio lembrava o mercúrio, depois sua viscosidade foi diminuindo e a cor foi se tornando mais clara, como uma água oleosa, ela se misturava a terra, e algo preocupante para nós era a nascente bem perto. Alguns químicos, inclusive um grande amigo meu Leandro, recolheram amostra para testes. Suspeitaram a principio que ali poderia ter uma nascente, que em contato com as rochas poderia ter se misturado a algum metal de modo excessivo. A equipe de segurança da empresa isolou então o local. Todos, inclusive eu, fomos mandados pra casa. Voltaria ao trabalho segunda feira.

21 de Janeiro de 2012
No decorrer da semana, fiquei sabendo que os oito operários ainda estavam em coma no hospital, e definitivamente, se um dia despertassem, iriam descobrir que estavam cegos.
O trabalho na Montanha do Diabo foi suspenso por causa do perigo, e também porque o Leandro me contou em segredo, qual eles tinham de manter sigilo por ordem do governo e da empresa, mas aquilo não tinha nada de água, e sim uma mistura de mercúrio, enxofre um pouco do que parecia ser clorofila, e em maior quantidade uma substancia desconhecida. Só a clorofila saída de um rochedo era de se estranhar e muito.

Uma equipe de químicos do governo e da empresa qual incluía o Leandro, se instalaram na base de exploração de mineira para efetuar pesquisas. Eu já fui trabalhar em alguns projetos na sede. Soube que ontem, uma semana exata depois do terrível acidente, quatro dos operários morreram, como se suas veias e artérias tivessem estourado por não suportar algo que estivesse ali, dentro deles, algo sem explicação, e os outros quatro acordaram, seus olhos vermelhos de sangue, em estado catatônico, sem dizer nada, nem um mínimo som ou um sinal por gesto. Li num jornal que várias pessoas assustadas ligaram para a policia local ouvindo estranhos gemidos de desespero vindos da montanha. Eu particularmente não ouvi nada, mas sonhei que o Leandro virava um monstro e tentava atacar-me, e ao fugir, vi que todos da cidade eram monstros.

15 de janeiro de 2012
O tempo foi passando, aparente tudo normal, a não ser os velhos boatos sinistros da cidade, que sempre existiram mesmo. Três messes depois do que aconteceu já não havia mais visto o Leandro, um dos meus poucos amigos, não posso esquecer de citar também minha melhor amiga, que é uma cachorra da raça Pastor Alemão chamada Ariel. E nessa manhã li no jornal que os quatro operários aviam fugido do hospital há dois dias, causando sustos pela cidade por causa das suas deformidades, e depois nunca mais foram vistos. Estranho eles conseguirem fazer esta proeza estando cegos, e que deformidades seriam estas?

Como curioso, fui atrás dos boatos pra saber mais. E ouvi dizer que, dentro desse tempo os operários ficaram em observação no hospital, em uma ala especial, com o tempo seu corpo foi sendo tomado por feridas, e verrugas marrons e grossas por todo o corpo que lembrava até a casca de uma árvore, que iam mudando seu corpo, o deformando cada vez mais, dando gritos às vezes, e sussurrando palavras desconhecidas em uma fonética gutural.

13 de Maio de 2012
Quatro messes já se passaram desde o acidente, e quantas vezes liguei a televisão durante esse último mês e pude ver como as pessoas estão violentas por aqui, e uma estranha epidemia vem atacando as pessoas e deixando-as cheias de feridas, os médicos suspeitam que seja uma nova variação da extinta varíola que sofreu mutação com a raiva. Fui quanto me espantei terrivelmente; ontem três químicos, com os indícios dessa doença foram encontrados vagando na cidade cobertos de sangue, e agindo violentamente, foi constado que a base de pesquisas perto da Montanha do Diabo havia sangue por toda a parte, mas nenhum corpo, e nenhum sinal daqueles que trabalhavam lá. Os químicos não diziam nada só rugiam como animais e foram levados ao sanatório do Hospital, e o Leandro era um deles.

Logo me dirigi ao sanatório para ver meu amigo, ao sair de casa minha cachorra tentou me morder, tive de amarrá-la, ela anda muito agressiva, nunca foi assim. Ao chegar no sanatório disseram que não podia vê-los pois podia me contagiar. Então fingi que fui ao banheiro, peguei um jaleco de um enfermeiro distraído e num descuido dos guardas e médicos entrei furtivamente na ala restrita. Que horrível, aquelas pessoas na cama, com aquela repulsiva casca verruguenta, gosmenta e marrom, fora os ferimentos e a demonstração de agonia e ira, todos amarrados á cama. Segui em frente, desci umas escadas até uma sala no fundo, onde pude ver os três, cada um em uma cela, quando vi o Leandro, lembrei imediatamente naquele meu sonho de messes atrás, onde ele se tornava um monstro, a semelhança era enorme.

Foi então que ele se debateu contra a porta da cela, com demasiada fúria, e tomei um grande susto, ainda mais que atrás de mim já tinha um guarda e um médico. Fui agredido por ambos, violentamente, é só até aí que lembro depois apaguei. Acordei de noite dentro de uma daquelas gaiolas onde colocavam os loucos, fui simplesmente tacado lá. Comecei a pedir ajuda, mas nada. A única coisa que pude fazer é rezar, oração interrompida por um senhor de uns 70 anos de barba, com roupa de faxineiro do hospital.

Ele era meio gago, e deu para perceber que era maluco também. Ele disse pra mim “Eu estava lá, há 60 anos eu sei o que vi, preciso tirar você daqui, você fez isso, talvez consiga fazer parar, é talvez. Mas eu estava lá, às vezes as vozes falam comigo, mas me assustam, mas elas falam, é elas falam, é lá da Montanha do Diabo, elas falam que vão acordá-lo, é vão, ele dorme, dorme antes do Homem existir, ele esta dormindo, é esta, sempre esteve, as árvores guardam seu tumulo, mas eu vou te tirar daqui, eu vou.” Perguntei sobre todo essas coisas sem sentidos, mas não obtive resposta, a única coisa que pude entender é que ele era o garoto daquela velha lenda .

O velho não conseguia abrir a porta, não tinha as chaves, vazia barulho demais forçando ela, até que ele pegou uma pá de metal de catar lixo e frequicionando contra a fechadura da porta conseguiu faz-la ceder, mas com um barulho terrível. Queria ter feito mais perguntas para o velho doido, mas não podia, senão iria parar ali dentro novamente. Correndo e me escondendo, aproveitando a noite, logo que sai da ala psiquiátrica fui atacado por um médico cheio de chagas na fase e com olhos inteiramente vermelhos de sangue, ele me derrubou no chão batendo antes de uma mesa móvel cheia de instrumentos, e tentava me enforcar com uma força animal.


Ao tatear o chão atrás de mim, tentava pegar algo pegar algo que pudesse me ajudar, meu ar estava acabando, minha consciência estava se apagando, mas consegui um bisturi, com o qual cortei a garganta do médico, mas mesmo com aquele sangue me banhando, ele não parou de me enforcar, então enfiei o instrumento em seu olho esquerdo, ele soltou e caiu no chão, aparentemente morto. Puxei seu corpo para uma sala o escondi no canto, e troquei de camisa, estava com medo, tremulo, eu nunca matei ninguém, era eu ou nele, não tive escolha. Fechei a sala e consegui sair do hospital. Pois nas outras áreas o movimenta estava demais por causa da tal epidemia, e pude passar despercebido, já que a pressa em salvar vidas era grande.

De noite, enquanto retornava para casa nas ruas desertas, deparei com uma cena intrigante, um mendigo com a tal doença, ser cortava e arrancava a pele de seu rosto com as próprias mãos deformadas, que de longe até lembravam galhos de uma árvore. Ele olhou pra mim, e deu um berro, se levantando abruptamente e correndo atrás de mim. Sai correndo, pois sabia que esses loucos ficam com uma força anormal, além do que estava perto de casa. Fui cortar caminho por um terreno baldio próximo a minha casa, e cai no chão me ralando um pouco. Tentava me levantar, mas meus pés estavam presos em uns galhos de uma árvore ornamental de hibiscos, tive a impressão de que ela havia me derrubado intencionalmente.

Quando aquela criatura sem face se aproximou mais, a consegui deixar meu sapato, e me levantei a um palmo dele me agarrar. Quando estava próximo de casa, vi minha cachorra Ariel, solta, só que meu pensamento de alivio se desvaneceu em instantes, pois ela pois a correr em minha direção com ar feroz. O que fazer, pensei, mas por impulso continuei a correr na mesma direção, e quando ela pulou pra me atacar, me abaixei e rolei pelo chão. Ela então se debateu com criatura que nem sei se posso chamar de humana, qual me perseguia, e ambos começaram a brigar.

Eu gostava dela, mas entrei em minha casa e fui observar a briga pela janela. Mas não pude ver nenhum dos dois, a não se rum baita susto quando Ariel pulou furiosamente na janela latindo, chegando a rachar o vidro. Arrastei um armário nele, tranquei tudo e fui pro andar de cima de minha casa, onde ficava meu quarto, numa das janelas dava pra ver o quintal de casa, e a outra dava justo para a maldita montanha, na qual pude ver fogo, e estranhas luzes. A respeito do quintal, pude ver a corda arrebentada e sangue próximo do local onde Ariel estava.

14 de Maio de 2012
Acordei tarde, nem fui ao trabalho, e liguei a televisão, estava muita bagunça, violência, assassinatos, não só aqui na cidade como aos arredores também. Cidadões agindo como loucos, e culpa estava sendo atribuída à estranha doença. Mas eu sei isso não é uma simples doença, é algo que vai além, seja lá o que for esta ligado com aquilo que aconteceu na montanha. No momento as coisas parecem mais tranqüilas, por isso fui ao supermercado comprar uns mantimentos para não sair de casa, comprei um facão e uma machadinha por via das dúvidas.

23 de Maio de 2012
Passou uma semana, ontem a Ariel retornou muito machucada, esta calma, mas se não levá-la ao veterinário irá morrer. Essa semana passada foi muito violenta, até parece que até a lua esta envolvida nisso, ele aparece nos céus como nova e as coisas começam a se acalmar. Nos noticiários mostra isso. Eu preciso descobri o que é isso, o que esta acontecendo. Faz tempo que não vou a igreja, logo irei, pois me sinto estranho, principalmente depois do que fiz no hospital. Sorte a minha que com essa bagunça nem tiveram tempo pra se preocupar com o médico morto, apesar de ter aparecido no noticiário, ainda mais que não foi a única morte por lá. Aproveitarei pra retornar ao trabalho agora que as coisas deram uma acalmada.

25 de Maio de 2012
Ontem levei Ariel ao veterinário, o mesmo não estava muito bem, fez uns curativos nela, mas parece que infelizmente ela vai morrer. Fiquei sabendo no trabalho também que teremos licença por causa dessa misteriosa doença, e que nossa cidade e cidades em volta estarão entrando em quarentena definitivamente, ninguém mais entra e ninguém mais sai, até descobrirem o que é isso. Amanhã irei à igreja católica que tem aqui perto, não é a Matriz, mas esta de bom tamanho, reservada e calma. Sinto-me incomodado com tudo isso, talvez me ajude a melhorar, apesar de batizado nunca liguei pra essa coisa de religião.

26 de Maio de 2012
Meu Deus! Maldita hora que fui à igreja! Como posso descrever o que vi lá! Terrível! Fui ao culto noturno, no caminho escutei as igrejas evangélicas falando do apocalipse, nada de diferente do que acontece sempre. Louvam mais o Diabo que a Deus, afinal é graças ao temor do Diabo que ganham sua grana não é. Mas isso não é importante, cheguei e a igreja estava fechada, não havia culto, estranhamente onde deveria ter uma imagem de Jesus, não havia nada, ah não ser arranhões que pareciam mostrar um nome “Faunum”.

Forcei a porta e entrei, havia uma ou outra pessoa lá, ou melhor monstros, pois grande parte de seu corpo parecia ser tomado por aquele cascão preto, só não descrevo mais porque a iluminação não era das melhores. Seus olhares em cima de mim eram terríveis, pensei imediatamente em dar meia volta e ir embora. Porém uma estranha voz com som duplo e roço me chamou da seguinte forma:

- Bruno, que honra ter a visita daquele que ajudou a nós libertar.

Respondi: - Libertar? Quem é você?

Aproximei-me e fiquei sem reação, a criatura meio homem, meio... alguma coisa que lembrava uma árvore, tendo seu corpo mais de 80% coberto daquela casca e usava as roupas do bispo. Na sua testa purulenta de chagas sobre-saiam o que pareciam ser chifres feitos daquela casca, mesclados à carne. Ele era um dos antigos operários da obra, pude ver e me lembrei pelo que tinha de humano. Ele se aproximou desajeitado ficando meio metro de distancia de mim e tocando meu ombro com aquela mão nojenta de garras podres e dizendo.

-Eu sou parte do nosso altíssimo pai Faunum! Filho primogênito da Cabra Negra da Floresta a grande Mãe Shub Niggurath. O Sangue de nosso pai corre nas águas, e nós tomamos o corpo desses medíocres mortais para logo desperta-lo! Mas vejo que ainda não esta se tornando como nós, mas logo será ou então nosso pai te devorara!

Saí dando passos para trás, e escutando os sinistros risos da criatura que finalizou dizendo: - Encontramos o pergaminho escondido aqui nessa igreja, há milênios ele esta perdido. Desde que os Outros fizeram o vulcão cuspir em nosso pai e aprisioná-lo. Mas ele puniu o vulcão antes de dormir que nunca mais cuspirá suas chamas das entranhas da terra. E agora o despertaremos e ninguém impedira seu domínio.

Foi isso que vi hoje, não posso crer que tudo isso seja real, e ainda por cima é culpa minha. Amanhã terei de ir à montanha, preciso ver o que esta acontecendo lá. Acredito que esse vulcão que a criatura se referiu seja o local aonde se localiza a cidade próxima de Poços de Caldas, o que ouve aqui o que são esses seres. Só sei que a água que as pessoas estão bebendo está contaminada com a essência desde ser que dorme nas montanhas, e só não fui ainda por não beber a água daqui ou ter tempo nessa vida corrida de comer os alimentos naturais cultivados por aqui. Pararei de dar a água dessa miserável cidade pra minha cachorra e ver se ela melhora.

26 de Maio de 2012.
Inacreditável o que vi hoje, com muito cuidado no crepúsculo subi até a montanha, havia pelo menos uma dúzia daquelas coisas lá, que tomaram o antigo assentamento como uma casa para eles. Estranho que jurava que a montanha podia respirar. Tomei um susto certo momento, onde fui abordado por um agente da policia federal que estava tentando descobrir o que realmente estava acontecendo nessa cidade, seu nome era Thiago. Logo viu que eu não era um deles, e por isso me tratou bem. Contei para ele a história que havia descoberto, eu sei que apesar de não querer ele acreditou um pouco no que disse afinal ele não tinha outra explicação para o terror que vislumbrava.

Ele falou que avisaria as autoridades para cortarem o abastecimento de água e ver o que aconteceria a essa altura. Logo fui embora, porque percebi que quanto mais tarde ficava, mais aquela floresta parecia viva e o lugar perigoso, o agente ficou por lá. Ainda devo dizer que tremores pequenos podem ser sentidos, creio que seja por causa daquilo.

26 de Junho de 2012.
O que dizer, novamente estamos na Lua Negra, e esta uma bagunça lá fora, minha cachorra morreu há uma semana mesmo não bebendo mais a água. Essa semana apareceu na televisão que um agente da policia federal chamado Thiago esta desaparecido. Acredito que depois desse tempo pelo menos 40% da população já se transformou totalmente nessas criaturas. Os gritos e berros a noite são horríveis. Consegui comprar uma arma alguns dias atrás, um revolver calibre .38, mas não acredito que ele me será muito útil.

Ontem aconteceu um massacre do exercito que exterminou vários civis doentes, que os atacaram de noite. O mais estranho é que os soldados tiveram muitas baixas, os quais foram verdadeiramente estripados por estes ‘pobres doentes’. Só isso deu para ver na televisão, me sinto tão só, não sei o que fazer, os telefones já não estão funcionando mais, nem a internet. De qualquer modo mesmo que pudesse fugir daqui, não deveria, pois a culpa é minha de tudo isso estar acontecendo. Preciso de um plano, e irei bolar um.

17 de Julho de 2012.
Vivendo sozinho e escondido tive uma idéia, extremamente arriscada. Pelo menos 70% da população já se tornaram essas coisas. Devo ser cuidadoso e furtivo, estamos no final da lua cheia, amanhã já deve começar toda esta zona de novo. Então hoje me preparei e irei até a montanha do Diabo, pegarei as dinamites que devem estar na base da antiga mineração, guardados e colocarei em todas as fendas daquele maldito rochedo, mandarei tudo pelos ares. Não sobrara um só pedaço de filho de Cabra Negra.

18 de Julho de 2012
Maldição como poderia saber que aquelas árvores estavam mesmo vivas, se mexiam, tive de atirar em algumas criaturas na subida, logo aquela arma me foi inútil e consegui só matar dois deles. As malditas árvores brincaram comigo, me deixaram subir, mas não me deixariam descer novamente. Consegui adentrar a base que estava desprotegida, pois eles pareciam estar concentrados em preparar algo lá fora bem próximo ao rochedo. Apenas alguns daqueles monstruosos seres que tinham a aparência em comum com aquele que encontrei na igreja, revezavam para levar pessoas normais, que estavam bem fracas por falta de alimentação até as árvores próximas do lugar preparado.

Num momento de descuido consegui entrar, como aquele lugar fedia. Peguei as dinamites, e vi o agente Thiago acorrentado desacordado, mas pelo barulho percebi que uma das criaturas se aproximava, me escondi atrás de uma porta, e quando ele levantou o Thiago para levá-lo acertei ferozmente com vários golpes de meu machado próximo ao que seria sua cabeça, cortei a fora, seu sangue era de uma cor diferente, meio esverdeado.

Peguei uma chave tirei as correntes do Thiago, consegui acordá-lo e o conduzi ainda meio tonto através de uma saída de emergência que tinha pelos fundos. Escondemos por ali no mato, dei a ele um pouco de água e uns biscoitos que tinha comigo para ajudar-lhe a melhorar. Agora todos sabiam que tinha mais alguém ali, e estariam em nossa busca.

Convenci Thiago a me ajudar em meu plano, apesar de louco para fugir, ele não teria mais volta nem eu. Ele cobriria os arredores do rochedo em volta implantando as dinamites a partir de onde os operários haviam perfurado, já que estava debilitado, e escalaria o rochedo e colocaria na parte de cima. Dei a ele o facão e parte das dinamites e cada um seguiu assim seu caminho furtivamente, o detonador delas ficou comigo.

Tive de tomar muito cuidado em minha escalada, pois três daquelas criaturas passaram bem embaixo de mim, foi uma sorte não terem me visto. Era desesperador, estava ofegante, depois que conseguir chegar ao topo, fui encaixando a dinamite em buracos que fazia com a machadinha, nessa altura já deveriam ter me percebido. Segui então até aqueles duas antigas e sinistras árvores secas. Bati em suas raízes com o machado e encaixei o resto das dinamites, nesse momento foi como a montanha desse um grande urro e podia jurar que as árvores me acertaram e me tacaram para baixo do rochedo de uma altura de uns dez metros, que pra minha terrível sorte as árvores embaixo realmente me seguraram sem que me machucasse muito e as criaturas me cercaram e me capturaram.

25 de Julho de 2012
Já estou muito fraco e cansado e faminto. Venho escrevendo neste meu diário desde que o recebi da empresa no dia de minha contratação. Uma grande empresa de exploração minério, multinacional que tem uma das suas sedes aqui nesta pequena cidade na serra do sul de Minas Gerais. Bom, mas antes sugiro que lessem o começo de todo esse horrível pesadelo. Ele foi a única coisa que me sobrou desde que fui capturado por estes monstros, o detonador perdi na queda.

Pude contar mais cem pessoas aqui além de mim, nesses dias que estive preso aqui das quais restam apenas menos de vinte, o pior é que esta prisão é feita pelas árvores, elas estão vivas, caminham e se mexem, juro que rostos horripilantes podem ser observados em seus troncos. Elas nos mantêm nesse pequeno lugar, nos cercando, às vezes mandam restos de comida e baldes de água suja para bebermos, e durante esses dias de lua minguante, pegavam algumas pessoas e as degolavam e arrancavam sua pele em estranhos rituais para este terrível deus das florestas.

Thiago também esta aqui, porém foi brutalmente massacrado pelas criaturas, ossos quebrados nas pernas e braços, esta parcialmente consciente, não sei como ainda esta vivo. Os tremores vêm sendo cada vez maiores, e a mesma criatura do dia da igreja, me disse no dia da minha captura que seria um presente especial para o tal deus, e eu seria realmente devorado por ele. Aonde fui me meter, devia ter tentado fugir mesmo.

A noite chegou, e parece que e o grande momento para estas criaturas, eles estão levando as pessoas para começar seu macabro ritual, dessa vez serei uma delas. Que Deus tenha piedade das nossas almas, e da humanidade quando essa criatura acordar. Provavelmente esse é o fim de meu diário, espero que se alguém ler isso consiga dar um fim nesse mau que eu dei inicio.

01 de Agosto de 2012
Quem poderia imaginar que aquele velho doido ainda estava vivo e salvaria a humanidade, escrevo isso com tanta euforia apesar de estar na cama de um hospital. Chegada à hora, degolaram e arrancaram a pele do penúltimo homem normal que era o Thiago, a montanha começou a se levantar, e tive o desgosto, amarrado ali de vislumbrar aquela terrível e gigantesca criatura se levantando. O que parecia ser suas pernas era como um grosso tronco de árvore repleto de coisas semelhantes a tentáculos raízes, subia e enrolava um corpo semelhante a pedra, onde se entendiam centenas de braços no formato de cumpridas raízes de árvores, e seu rosto era mesclado ao pescoço numa boca repleta de dentes e aqueles chifres no formados pelas antigas e grandes árvores secas. Pelo seu corpo se entendiam faces, com olhos e expressões vivas, e gemidos aterrorizadores, era a alma daqueles que devorou pelo seu sangue.

Logo entre a floresta apareceu o velho louco gritanto: “Jurei que me vingaria de vocês seus malditos, e aquele amuleto que o xamã me deu realmente me tornou invisível a estas árvores malditas! Eu observei o que fez Bruno e achei seu aparelho, darei um fim nisso.” Por sorte do destino, antes que as criaturas pudessem tomar alguma atitude ele apertou o botão do detonador.

Vislumbrei então aquilo que seria os chifres formados pelas árvores sendo decepados de sua cabeça, e o corpo do deus antigo sendo dividido pelas detonações. E tudo começou a cair, inclusive as partes do corpo das criaturas que se separavam a parte demoníaca da humana, como se desfizessem. Porém tudo aquilo caiu bem onde estávamos, principalmente em cima do velho. E o grito daquele deus e do sumo sacerdote das criaturas, nunca me esquecerei.

Ninguém acreditou em minha história por aqui, creio que não sobrou nenhum vestígio daqui, mas na verdade acho que não estou muito bem da cabeça, ando vendo coisas, tendo sonhos estranhos, minhas pernas estão quebradas, nem sei se poderei andar novamente. Mas uma criatura muito pior que esse Faunum me chama em meus sonhos, e agora temo que também seja real, e que realmente acorde nos oceanos no dia 25 de dezembro desse ano. Agora sei que há horrores que se escondem pelos cantos da terra a milênios e é demais para uma mente humana suportar.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Site sobre H.P. Lovecraft

http://www.sitelovecraft.com/

Na minha opinião o melhor site da língua portuguesa sobre um dos melhores autores de contos de horror H. P. Lovecraft. Contém muito material sobre o mesmo, inclusive para dar download, de contos em pdf até mesmo livros em áudio português, com uma ótima qualidade, indo até a alguns filmes baseados na obra do autor.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Os 18 olhos azuis.

Por: Mateus S. Saraiva

Os jovens em busca dos amores da adolescência as vezes podem encontrar o amor, de uma maneira nunca experimentada pelos mortais, e foi isso que o jovem Lúcio sentiu...

Lúcio vinha de uma família de classe média baixa, morador de uma cidade do interior, ao meio de um vale, local aonde velhas fazendas e casarões antigos ainda se mantêm imponentes de pé exuberantes em sua beleza barroca. Há pouco tempo começara a namorar uma garota bem branca de cabelos pretos e olhos castanhos claros, que conhecera enquanto fazia sua caminhada e passeios próximos à zona rural.

Um dia quando namoravam e já era tarde, o seu pai apareceu para busca-la, ele estranhou o homem grande de pele negra, e olhos azuis, exótico, não tinha nada haver com a filha, conversando pouco, o homem rude o convidou para ir na casa dele, uma fazenda da zona rural, jantar lá na noite do dia seguinte, já que era namorado da sua filha. Ao chegar em casa, ele contou para seu avô que na juventude havia sido um galã mulherengo, e adorava ouvir as proezas do neto com as mulheres. Sempre contava muitas historias, depois da descrição do pai da moça. O avô de Lúcio lembrou-se de uma historia que ouvira ainda criança, e já havia se perdido no tempo, uma historia assustadora que acontecerá por aquelas bandas. E então o velho começou a contar.

- Ainda na época dos escravos e senhores, no final dela, quando já estava sendo proibido o comercio de escravos, um ancestral nosso havia adquirido no litoral sudeste uma leva de nove escravos, esses eram diferentes, tinham olhos claros como o azul do céu, e falavam uma língua diferente dos outros, comprados por um preço bem abaixo do padrão sem nem mesmo precisar pechinchar, o coronel nem quis saber o porque disto. Eles não eram rebeldes, mas seu olhar profundo fazia até um cão de guarda sentir-se incomodado. Não davam trabalho a não ser por certas bizarras ocasiões aonde foram pegos em estranho rituais religiosos em noites de lua negra, onde todos os cães, e animais ficavam alvoroçados e amedrontados, fazendo muito barulho, mas logo parava, chegando a levarem varias chibatadas por isso, quais pareciam mais como cócegas para estes homens, como se não sentissem nada.

- Uma noite na fazenda, podia se ver a lua diferente como cheia, mas ela estava vermelha, como se do seu pálido brilho sangrasse em totalidade. O Coronel fora alguns empregados tinha a mulher e quatro filhos, um deles o mais velho de 19 anos, havia ido estudar em Londres pouco antes da compra dos exóticos escravos de pele negra e olhos azuis cristalinos. Os outros filhos, era uma menininha que nascera no mesmo dia da chegada dos escravos, outra garota de 13 anos, e mais um jovem de 16. Nesta lua de sangue o Coronel foi acompanhado de seu filho para um bar tratar de negócios, lá encontrou o capitão Elias, na verdade um traficante de escravos, com o qual fazia negócios. E o capitão mencionou da sua viagem até o oriente, onde ficou três anos sem retornar ao Brasil.

- O Coronel riu pensando que se tratasse de uma brincadeira afinal a menos de um ano tinha comprado aqueles nove escravos por preço de banana. Mas o capitão estava muito serio, não se tratava de uma brincadeira, afirmando isso, e claramente não compreendendo o que o seu amigo coronel insistia. Logo cansado das loucuras do coronel já que aquela situação seria impossível pelo fato dele estar no oriente, o capitão se encher eu foi conversar com outros da cidade. Confuso por aquilo, pois sabia que o capitão não era de brincadeira e nem estava bêbado, deixou sua bebida pela metade e o filho no bar e saiu disparado montando no seu cavalo e indo a galope pra sua fazenda.

- Logo a meia noite, o coronel retornava de casa, coberto de sangue, e com uma cara de desespero e olhos vazios, lágrimas escorriam de seus olhos, em sua mão segurava um facão. Seu filho assustado correu para ele, e num só golpe sue pai o decapitou sem que ninguém pudesse fazer nada. Suas ações eram esquizofrênicas e impulsivas, parando em tremeliques, dignos de um louco psicótico. Caiu tremendo no chão olhando pro nada.

- E isso ainda foi normal perto do que ele disse na prisão, e o que os policiais virão depois na fazenda. E o que ele disse foi o seguinte: “Ao chegar perto da fazenda escutava gritos como se misturasse prazer e dor, pude reconhecer que era a voz da minha mulher, corri, mas logo percebi a ausência de animais e peões, o chão estava fofo como se tivesse chovido mas não pude ver o que era, me armei do facão que estava em minha cintura, quanto mais perto da casa chegava, mais um cheiro nauseante sentia. Quando me aproximei mais que havia luz do lampião, percebi que tudo estava coberto de sangue como se tivesse chovido sangue. Corri para o quarto do andar do andar superior da casa na fazenda, eu não podia acreditar no que vi...”

- Num suspiro desesperador ele falou histérico, “Minha mulher e minha pequena filha estavam transando com uma gigantesca massa disforme de carne podre e escura cheia de chagas e furúnculos fétidos, e coisas que pareciam tentáculos, cheia de pedaços de outras criaturas se mesclando a ela, com 18 grandes olhos azuis espalhados por toda aquela coisa, que ocupava todo aquele cômodo de cinco metros quadrados, a ponto do corpo das duas parecer se mesclar com a criatura abominável! O pior, é que as duas, a minha família! Estavam aos gemidos, pareciam gostar de ter prazer com aquela coisa monstruosa! E minha mulher parando de gemer e gritar, virou e falou para mim que agora sabia como é ser traído como fiz e algumas atrocidades a mais que cometi e outras que variam um homem se sentir um verme, minha filha se aproximando aos gemidos, entortado a coluna como se não houvesse ossos ali, disse pra mim, - Viu pai não é só você que faz isso comigo e este deus de carne faz bem mais gostoso. - e não paravam de dizer aquelas abominações. Então cortem suas cabeças fora do corpo que as ligavam aquela monstruosidade, mas elas continuaram, falando, e falando, e falando....”

- Rindo enlouquecidamente e chorando o Coronel finalizou “Então desferi golpes nas cabeças falantes da minha mulher e filha, e naquela criatura, porém foi em vão, fui tacado longe, onde acabei caindo das escadas, e ao me levantar atordoado voltei lá, mas não havia nada, só sangue, e sangue, e a última coisa que ouvi foi o choro de minha filhinha, que nascera a menos de um ano. Então ao retornar ao bar tive certeza que aquele também não deveria ser mais meu filho, e sim parte daquela criatura que destruiu minha vida e também tinha de acabar com ela.”

- O Delegado logo em seguida com raiva mandou que o prendessem imediatamente e dessem uma lição, depois de ouvir estas desculpas pelas atrocidades do Coronel louco cometeu, e qual ele mesmo se condenou. Não demorou muito para que os policiais que haviam ido investigar chegassem, e informaram que lá não havia anda, absolutamente nada, nenhum animal, ninguém, nem sangue, nenhuma criatura viva ou morta, a não ser objetos quebrados e danos na estrutura da casa. Esse caso nunca foi resolvido, ainda mais que o coronel na noite seguinte, desapareceu da cela trancada da prisão sem vestígio algum, a não ser pelo sangue espalhado nela toda. O filho mais velho do coronel que foi nosso parente foi quem contou-me essa historia, e quando voltou não quis saber daquela fazenda amaldiçoada e a vendeu. Inclusive você se parece muito com ele meu neto.

Lúcio fingiu que a historia fosse uma baboseira e nada mais, até deu uma falsa risada para seu avô, pensando que o mesmo estava tentando botar medo nele, e tinha conseguido mesmo. Depois de se despedir do avô quando foi dormir, Lúcio teve os mais terríveis pesadelos, dormiu até tarde no outro dia. O resto do tempo passou se arrumando e para ficar bem bonito, e logo antes do crepúsculo se dirigiu para fazenda da família da namorada.

Ao chegar lá, ele até estremeceu, o casarão da fazenda era como o que seu avô descreveu, porem as plantas e o mato lá não era cuidado a décadas pelo tamanho, algo estranho. Mas tudo bem, foi só uma história para lhe botar medo, Lúcio pensou, nada demais, imagine só. Sua jovem namorada já o esperava na porta e o recepcionou vestindo roupas de época, e estava muito bonita e maquiada. Ela o surpreendeu dizendo que seu pai havia saído para uma urgência e não havia ninguém em casa, de certo modo Lúcio ficou feliz, afinal era um jovem homem, nem tinha seus 20 anos ainda, dá para se imaginar o que passou por usa cabeça.

O casarão por dentro era muito velho e rústico, os moveis pareciam ser centenários. Na sala de jantar a mesa estava arrumada e tinha uma ágape deliciosa. Ambos comeram. E depois da ceia, na tranqüilidade da noite não demorou para jovem moça se insinuar e convidar o namorada para subir ao seu quarto no andar superior. Deitaram os dois na cama e começaram a namorar, Lúcio a despiu e começou a beijar, em meio aquele volupioso e sensual momento, vislumbrado ao corpo perfeito daquela garota, percebeu que os gemidos dela começaram a se distorcer e ela falou com voz ofegante.

- Meu amado irmão, estávamos com saudades de você, você não estava aqui para ir com agente viver eternamente no corpo do deus da carne. Eu ainda era um bebe mais o grande deus cuidou de mim.

Lúcio levantou assustado, mas seu membro já estava dentro da namorada e a garota ainda gravou suas unhas nas suas costas e o segurou com uma força anormal, e apavorado ele viu os olhos da garota antes castanhos claro agora azuis cristalinos e vislumbrou a terrível visão de logo acima dos seios da moça, perto do ombro crescer dois tumores, que logo tomaram a forma de cabeças femininas. Umas era mais velha a outra mais nova, ambas com os terríveis olhos azuis. E a mais velha disse “- Meu filho saudades.”, a mais nova “- Você viu minha mãe ele nasceu novamente para ficar conosco. E as três cabeças naquele corpo começaram a rir e gemer.

Num golpe ele conseguiu se soltar, mas seus órgão genitais foram rasgados por ferrões nas partes daquela criatura bizarra que a pouco enamorara, coito e sangrando saiu desesperado, e caiu nas escadas, batendo nos pés daquele que seu avô descreveu como o coronel, mas que estava também com os olhos azuis. A dor era intensa e tudo aquele o fez apagar.

Logo em seguida acordou em sua cama aliviado daquele pesadelo, num suspiro, ainda estava uma penumbra quando acendeu a luz, e num reflexo, de um copo de metal polido na cabeceira de sua cama, viu seus olhos antes castanhos, agora azuis. Num grito desesperador olhou pra baixo e viu que só tinha metade do seu corpo, a outra metade estava grudada aquela criatura vil e inominável de carne pútrida, aos berros enlouquecidos, viu as duas garotas, a mulher, o coronel, o jovem garoto filho do coronel, seu avô, seu pai e sua mãe, ou melhor só suas cabeças grudadas aquela coisa sorrindo para ele com seus olhos azuis. Os 18 olhos azuis cristalinos do deus de carne se fecharam e sem mais alma Lúcio sabia seu nome: Anxibaynzib.

Apresentação

Criei este blog com a finalidade de postar e divulgar meus contos na maioria de terror e outros com fundo iniciático e místico. Muitos deles baseados em meus sonhos. Com o decorrer do tempo também postarei links para download de filmes do gênero e também de musicas e trilhas sonoras. Espero que gostem e entrem nesse mundo onde a fantasia da maravilha e do desespero se confunde com a realidade, desfazendo a existência da loucura e das diferenças entre ficção e realidade, mesclando-se então em um só mundo.

Senhoras, senhores, senhoritas, rapazes e criaturas inomináveis que vivem na escuridão de cada ângulo das construções humanas ou inumanas, sejam bem vindos ao Arcanae Mythos.

Atenciosamente.
O anfitrião Mateus.