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segunda-feira, 22 de junho de 2020

Poesia 150 - ESTRADA

Uma poesia dedicada ao motociclismo... 

Por: Mateus S. Saraiva

Há aquela ânsia pela viagem sem destino,
Ao ligar o som do motor que é nosso hino,
Com os cuidados de quem é nossa parceira mais fiel,
E seu som que reunifica os dialetos de Babel.

E ao nosso Deus rezamos antes de partir,
Para que abençoe nossos caminhos e esse prazer de existir,
E pilotar, mesmo que não haja um destino aonde ir,
A cada perigosa curva a nós divertir.

Enganamos a morte em nossos cavalos de aço,
A meia noite ou ao meio dia a estrada é sempre nosso espaço.
Solitários ou em uma formação em fraterno abraço,
Da liberdade não nos tiraram nenhum pedaço.

Uma loucura, um prazer que poucos compreendem,
Como uma purificação de nossos sofrimentos que evadem,
A cada bela paisagem ou encontro inesperado,
É um momento único a ser aproveitado.

Em cada movimento, maquina e homem tornam-se um,
Não importa a velocidade, já não existe mais medo algum.
Na estrada jamais estaremos perdidos,
E nela damos adeus a todos os corações partidos.

quarta-feira, 17 de junho de 2020

149 – DA CARNE A VOLUPTUOSA DIVINDADE

Por: Mateus Silva Saraiva


Lábios vermelhos delineados com primor,
Como se esculpidos pelas mãos das divindades do amor,
Com a vil intenção de enlouquecer os mortais,
Com tua beleza e todos os gestos sensuais.

Como uma felina mulher brincando com o coração alheio,
Uma súcubo devorando a alma do incauto repleto de anseio.
Com a pálida pele que reluz com o luar,
E os olhos azuis com a profundeza do mar.

Possuidora do olhar felino que hipnotiza sua preza,
A ninfa que brinca com os desejos demonstrando plena destreza.
Com o narcísico amor a si, se esculpindo em primorosa beleza,
Enlouquece-me essa divina mulher que perturba minha natureza.

Encantou-me quando vi aquela pálida luz na escuridão,
Talvez se não a tivesse aos meus olhos, acreditaria ser uma ilusão.
Um joguete dos deuses a brincar com os desejos mortais,
Era uma deusa em carne, instigadora dos pecados capitais.

Como gostaria deliciar-me ao altar em um templo construído para ela,
Contemplar, adorar o corpo nu daquela divina donzela. 
Pois a perfeição das curvas de sua carne soava um cântico sagrado,
Como vedas e sutras de amor profano, mas consagrado.

Senhorita dos misteriosos arcanos femininos,
Trajada de volúpia e encarnada de gestos felinos,
Aceita, escuta, delicia, desfruta-te desta minha ode,
Prostre-te a mim como eu a ti, então nos meus braços acomode.

E terás minha adoração desprovido de qualquer éfode,
Mas não esqueça Oh! Deusa Voluptuosa e me engode!
Pois desafio os deuses, já que também sou feiticeiro e posso te aprisionar,
Com selos mágicos e jarros de bronze, indignos de uma deusa ficar.

E minha ode de amor eterno e liberdade pode se tornar uma prisão,
Como antigos encantos sumérios com seu poder despertado à visão.
Pois de sacerdote posso soar como Nietzcshe matando deus,
E já sacrifiquei muitas musas e deusas à arquétipos mais antigos e meus.