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quarta-feira, 17 de junho de 2020

149 – DA CARNE A VOLUPTUOSA DIVINDADE

Por: Mateus Silva Saraiva


Lábios vermelhos delineados com primor,
Como se esculpidos pelas mãos das divindades do amor,
Com a vil intenção de enlouquecer os mortais,
Com tua beleza e todos os gestos sensuais.

Como uma felina mulher brincando com o coração alheio,
Uma súcubo devorando a alma do incauto repleto de anseio.
Com a pálida pele que reluz com o luar,
E os olhos azuis com a profundeza do mar.

Possuidora do olhar felino que hipnotiza sua preza,
A ninfa que brinca com os desejos demonstrando plena destreza.
Com o narcísico amor a si, se esculpindo em primorosa beleza,
Enlouquece-me essa divina mulher que perturba minha natureza.

Encantou-me quando vi aquela pálida luz na escuridão,
Talvez se não a tivesse aos meus olhos, acreditaria ser uma ilusão.
Um joguete dos deuses a brincar com os desejos mortais,
Era uma deusa em carne, instigadora dos pecados capitais.

Como gostaria deliciar-me ao altar em um templo construído para ela,
Contemplar, adorar o corpo nu daquela divina donzela. 
Pois a perfeição das curvas de sua carne soava um cântico sagrado,
Como vedas e sutras de amor profano, mas consagrado.

Senhorita dos misteriosos arcanos femininos,
Trajada de volúpia e encarnada de gestos felinos,
Aceita, escuta, delicia, desfruta-te desta minha ode,
Prostre-te a mim como eu a ti, então nos meus braços acomode.

E terás minha adoração desprovido de qualquer éfode,
Mas não esqueça Oh! Deusa Voluptuosa e me engode!
Pois desafio os deuses, já que também sou feiticeiro e posso te aprisionar,
Com selos mágicos e jarros de bronze, indignos de uma deusa ficar.

E minha ode de amor eterno e liberdade pode se tornar uma prisão,
Como antigos encantos sumérios com seu poder despertado à visão.
Pois de sacerdote posso soar como Nietzcshe matando deus,
E já sacrifiquei muitas musas e deusas à arquétipos mais antigos e meus.

6 comentários:

  1. Por acaso, já pensou em publicar um livro de poesia? No estilo dos antigos poetas Byron, Keats, Rimbaud etc? Creio que ficaria lindíssimo e faria sucesso com o underground.

    Não sei se estou certa, mas dependendo de sua escrita invoca-me certas pinceladas e perfumes de Baudelaire, Poe, e outros.

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    1. Que grande honra essa comparação minha cara, sim carrego comigo a antiga alma dos poetas malditos.

      Sim, está nos planos. Possivelmente 2 volumes de bolso, já que agora tenho 157 poesias, não sei se apenas um volume ficaria bom para todas. E de bolso para aqueles leitores que me dão a honra de prestigiarem o que escrevo, poderem carregar consigo em saraus ou onde forem.

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  2. Ao menos podes entornar a maldição da alma em belos alentos de poesia. Não posso dizer o mesmo sobre mim. A maldição e a melancolia infelizmente não transformam em escrita ou qualquer outra das antigas artes.

    Adorei a ideia de poder carregá-los. Lembram-me a história que Percy Shelley carregava no bolso de seu paletó uma cópia do livreto de poesias de John Keats.

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    1. Então busque no seu interior o meio da arte para transbordar essa melancolia. Destrua os grilhões que aprisionam tua alma e a deixe voar...

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    2. Sempre transformando palavras simples, em poesia. Agradeço o conselho e a gentileza de suas palavras. Talvez algum dia eu volte a escrever ou tentar outras formas. Por agora, somente lembro como apreciar um bom vinho. Mas não a fabricá-lo.

      Desculpe minha ousadia, mas a forma com que descreve, sente e transborda suas palavras, esta intensidade e sensibilidade com que escreve, é algo raro de se encontrar hoje em dia. Uma bela dádiva e talvez maldita. Ainda existe pessoas que carregam a antiga alma dos Malditos. Enfim, não vou lhe incomodar com lamúrias. Somente queria elogiar suas poesias e desejar-lhe sorte e prosperidade.

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    3. Que belas palavras! Um grande elogio que alegra meu espírito. Com o tempo aprendi a contemplar o abismo e ver sua paz e as satisfações da agonia e não só da alegria... Apreciar todos os tipos de sentimentos, que em mim são igualmente intensos, dos doces aos amargos e transformá-los em poesia...

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